Quando os transportes são os “estrantopes”, o frigorífico é o “fifíco”, o prato é o “pato” e as maças são “ranhetas” em vez de reinetas, os pais têm tendência a achar graça e, muitas vezes, até a reforçar estas trocas nas palavras que os filhos fazem. A maioria das vezes, as palavras que dizem têm realmente graça e, em algumas idades, é normal fazerem estas trocas de sílabas e sons. A maior dificuldade é saber quando já não é suposto que as crianças continuem a trocar sons, a fazer frases demasiado pequenas ou ainda a não compreender muito bem o que lhes é dito. É, portanto, sobre os sinais de alerta na linguagem e na fala que vou falar neste artigo.

Por outro lado, os pais esperam também por várias etapas típicas do desenvolvimento da criança como o palrar, sentar, gatinhar, andar, falar e tantas outras coisas. Quando entram para a escola é inevitável que vão comparando o desenvolvimento dos seus filhos com os dos seus colegas. Todas as áreas do desenvolvimento são importantes, mas sabemos que a fala e a linguagem são áreas que criam alguma ansiedade sobretudo quando os seus filhos não estão a corresponder ao desenvolvimento típico para a sua idade.

Deixo  assim  alguns  sinais  de  alerta  aos  quais  se  deve estar  atento  em  diferentes idades:

  • Até aos 12M: reage a sons, ri, produz “papapa” ou “mamama”, estabelece contacto ocular;
  • Até aos 2 anos: responde ao nome, comunica maioritariamente com palavras (ainda que use alguns gestos), faz frases simples, é compreendido pelos adultos;
  • Até aos 3 anos: cumpre ordens simples, tem um vocabulário diversificado, consegue exprimir- se e tem uma fala inteligível;
  • Até   aos   4   anos:   produz   as   palavras   sem   trocar   ou   omitir   sons,   conta   histórias  e acontecimentos do dia-a-dia, tem noções de tempo (ontem, amanhã), tem uma fala corrente sem repetições de sílabas ou palavras;
  • Até aos 5/6 anos: tem um discurso organizado, faz frases estruturadas, cumpre ordens complexas, faz divisão das palavras em sílabas, identifica palavras começadas pela mesma sílaba (bota-bola).

Existem ainda alguns sinais que são transversais e que deverão ser um sinal de alerta em todas as idades: fala pouco, fala “pelo nariz”, parece gaguejar, não compreende o que lhe é dito, só as pessoas mais próximas a compreendem, não ouve bem, precisa que lhe expliquem várias vezes a mesma coisa, grita muito, está muitas vezes rouca, faz esforço para falar, está sempre de boca aberta, respira pela boca, tem dificuldades na alimentação, engasga-se muitas vezes.

Na idade escolar é também importante estar atento se a criança troca sons e letras a ler ou escrever, tem uma letra imperceptível, escreve com muitos erros ou lê muito lentamente.

É   importante   notar   que   nem   todas   as   crianças   tem   o   mesmo   ritmo   de desenvolvimento por isso as faixas etárias são linhas orientadoras, não significa que tenham que  adquirir  cada  competência  exactamente  aos  3  ou  4  anos.  Quanto  mais  cedo  forem detectadas as dificuldades nas áreas da linguagem e da fala mais fácil será de corrigir de modo a não prejudicar o desenvolvimento de cada criança.

 

Carmo Braga

Terapeuta da Fala

E-mail: tfcarmobraga@gmail.com

Telemóvel: 912 403 138

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