Na sexta-feira passada fui até ao Alentejo, mais concretamente até a Herdade do Monte dos Pobres, Vila Viçosa, já próximo da fronteira, a convite da Cerelac. Confesso que fui com bastante curiosidade, pois tinha o objectivo claro de desmitificar a confecção das papas desta marca em particular – que, para mim, são sinónimo de açúcar (desnecessário) para os meus filhos. E, se quiserem saber, se, no final do dia, a minha opinião mudou, é continuar a ler este post até ao fim.

Não sendo fundamentalista, sou assumidamente contra o consumo excessivo de açúcar no dia-a-dia das crianças, sobretudo pelos efeitos negativos que tem e porque, como eu referi, não sou fundamentalista e, como tal, eu não proíbo o meu filho de comer uma fatia do bolo de aniversário, um gelado, as pipocas que tanto gosta, entre outras coisas. Mas isto são as excepções, a regra é o nosso dia-a-dia e a oferta que tenho em casa, sendo os lanches e os snacks o que mais me preocupa.

E sem entrar ainda em grandes pormenores, pois para isso eu irei receber informação adequada, queria deixar a minha opinião verdadeiramente sincera sobre este tema. Em primeiro lugar, é unânime que as papas Cerelac têm uma imagem menos positiva no mercado devido à percentagem de açúcar que contêm. E era esta a pergunta que muitas de nós tínhamos preparada para fazer assim que houvesse oportunidade.

Mas antes disso, escutamos e observamos tudo com muita atenção.

Depois de uma viagem de mais de duas horas, o nosso dia com a Cerelac começou oficialmente com uma visita aos campos de plantação de trigo, na Herdade do Monte dos Pobres. Uma imagem que parecia retirada de um postal de tão bonita. E ainda naquele local, ouvimos a frase que foi recorrente ao longo do dia e que despertou a minha atenção: tudo o que diga respeita à comida para bebés e crianças está sujeito a uma legislação própria e rígida. E onde se cultivam os cereais para as papas dos bebés, não se cultivam cereais para adultos.

Dali, seguimos em direcção à Casa Terreiro do Poço, em Borba, um Turismo de Habitação bastante acolhedor e onde comemos muito bem. Depois do almoço, continuamos a descobrir o processo de produção Cerelac que, embora relativamente simples, é longo:

  1. Matérias-primas
  2. Che: cereais hidrolizados enzimaticamente (libertar o sabor)
  3. Misturas húmidas
  4. Secadores
  5. Moinhos calibradores
  6. Enchimento

Ao longo deste processo, são feitos dois controlos rigorosos de contaminantes que garantem a qualidade e que asseguram que aquilo que lemos no rótulo corresponde exactamente ao que vem dentro da embalagem. E mais uma vez, foi reforçada a mensagem de que a comida feita com o propósito de alimentar bebés é feita com uma rigor bastante elevando e que, por isso, é bastante segura.

E este foi o momento em que as questões relacionadas com o açúcar se começaram a ouvir. Na realidade, todas as variedades têm açúcares que provêm dos cereais, do leite e também da fruta. E é um facto que há melhorias a fazer. Quando a Cerelac surgiu os tempos eram outros, o “docinho” era a moda e não se ouvia tanto falar da alimentação saudável, do zero açúcar, nem tão pouco se imaginaria passar-se para um extremo praticamente oposto em termos de alimentação.

Para além disso, a Cerelac (e o Nestum) têm um sabor icónico – quantos de nós não admitimos que continuamos a gostar e a comer depois de adultos? – pelo que, mudar radicalmente o seu sabor era um risco bastante grande para a marca e um choque ainda maior para os consumidores.

No entanto, a Nestlé tem consciência que é preciso mudar e adaptar-se aos tempos que hoje se vivem e, mais do que isso, tem preocupações mais profundas com a alimentação, estando inserida num projecto de redução de açúcar nos seus produtos. É um processo gradual, precisamente para que se consiga ao máximo preservar o seu saber icónico e de “infância”.

A este debate, juntou-se o pediatra Hugo Rodrigues, pai e autor do blog Pediatria para todos, que foi um elemento importante nesta discussão em torno da alimentação dos bebés e das crianças. Apresentou-nos um estudo bastante preocupante a respeito dos padrões alimentares das crianças no nosso país a partir de um ano de idade – eu diria mesmo chocante, mas que não vou trazer para aqui agora para não me alongar muito mais. Porém, aquilo que para mim fez bastante sentido foi:

  • um bebé tem necessidades nutricionais e calóricas diferente das de um adulto, as modas da alimentação saudável deve ser controladas por um profissional sempre, porque as crianças precisam, por exemplo, de gorduras e de hidratos de carbono, sim!
  • as crianças não devem ser privadas de nutrientes.
  • a quantidade de comida que deve ingerir a cada refeição não é tão elevada quanto possamos pensar.
  • é muito importante variar e diversificar na alimentação.
  • MUITO IMPORTANTE: respeitar as instruções de preparação das papas, sobretudo o facto de serem lácteas ou não lácteas —> é mesmo muito importante!!!

Em suma, o que é que eu vos posso dizer? Que vim bastante tranquila com a qualidade e a segurança com que estas papas são feitas, isso de certeza! Fiquei desperta para algumas questões, nomeadamente, quando compramos farinhas a granel sem sabermos muito bem qual a sua a origem ou quando um produto não nos oferece o “selo de segurança”. Nestes casos, então, deverá prevalecer a segurança dos nossos bebés.

Regressei a casa com uma ideia e imagem diferente, mais confortável, digamos assim. Obviamente que tudo isto é indissociável do nosso próprio bom senso, enquanto mães e pais, na medida em que um bebé não irá, por exemplo, comer papa duas vezes por dia ou mesmo diariamente, pelo menos a mesma papa. E claro, não devemos nunca deixar de ler o rótulos e de tentar sempre fazer as melhores opções em cada momento.

Não se esqueçam: equilíbrio e bom senso são as palavras de ordem sempre!

 

Espero que este post vos tenha sido útil de alguma forma, nem que seja pelo simples facto de vos ter trazido mais alguma informação fidedigna e da perspectiva de uma mãe sobre este tema.

Boa tarde e bom semana.

Comentários

comentários