Não vou mentir, eu tenho sempre a mesma expectativa de cada vez que o meu marido chega de viagem. Tenho a expectativa que ele chega e eu passo-lhe a pasta dos filhos, pelo menos, nas 24h imediatamente a seguir. É ele que dá atenção, é ele que muda as fraldas, é ele que dá banhos e é ele que adormece. É uma expectativa egoísta de quem sente a necessidade de fazer uma pausa depois de tantos dias tão exigentes.

Esta vontade acaba por nunca ser explícita ou declarada, porque coloco-me imediatamente no lugar de quem esteve fora. E, em ambos os casos, a exigência foi grande em diferentes perspectivas. Para quem fica, é todo o cansaço de quem teve que assumir todas as responsabilidades: a casa, os filhos, o trabalho, fora o bónus de não poder perder o controlo, porque os miúdos sentem quando um não está, ficando mais sensíveis e a precisar de mais atenção. Quem fica, chega ao fim de rastos, pois dorme menos; vai levar e vai buscar; vai ao supermercado; vai ao parque; vai às actividades extra-curriculares; dá banhos; dá jantares e põe a dormir. É quem fica que acorda de noite, caso seja necessário, que gere as birras com maior responsabilidade para tentar não perder a calma. Para quem fica, o dia da chegada tem sempre a expectativa que a outra pessoa venha cheia de energia após o interregno de tudo isto.

Porém, quem foi, não foi de férias. Quem foi, foi em trabalho e, regra geral, faz viagens longas e em horários impróprios, viagens que só por si já cansam. São viagens em trabalho, exigentes, embora, na minha opinião, havendo a possibilidade de dormir sem interrupções e de chegar o fim do dia sem sentir que tem um outro dia de trabalho a começar, já leva alguma vantagem e ganha alguma qualidade de vida (e de descanso).

Mas quem foi, chega cansado e, quem ficou, está igualmente cansado. Gerir as expectativas de ambas as partes não é fácil, pelo contrário, é um tema sensível para ambos. Quem chega, está à espera de ser recebido – com legitimidade – por quem está cheio de saudades, por quem está disponível para o deixar descansar e recuperar da viagem, ao mesmo tempo, que trata de tudo o resto: os filhos, as rotinas e a casa. Quem ficou, muitas vezes, está a contar os segundos para poder voltar a dividir as tarefas, passar as birras e até deixar descansar por cinco minutos sem filhos por perto.

Lido bem com estas ausências, mas é-me difícil gerir as expectativas da chegada. Esconder aquela que é a minha vontade, sabendo que do outro lado é igualmente legítimo a necessidade de descansar.  Lido bem, mas preferia que na chegada, eu pudesse exigir que a partir daquele momento “é tudo dele”.

Entretanto, o pai chegou e o Vicente já não aguentava mais. Levei-o a dar uma volta para o distrair, passámos pela Feira do Livro e aproveitámos algumas das actividades que estavam a decorrer para crianças: plasticina no espaço da Leya, enquanto decorria o Showcooking da minha amiga Raquel, que lançou o livro Crianças Saudáveis, Famílias Felizes em conjunto com a autora do blog My Casual Brunch. Depois, descemos um pouco até ao espaço da Zippy para fazer o Workshop de Papagaio de Papel e, contrariamente ao que eu pensava, o Vicente adorou a experiência e, obviamente, gostou ainda mais quando o pai, finalmente, se juntou a nós.

Anda assim, o que importa é que foi um fim-de-semana muito bom no tempo que aproveitei com os meus filhos e na forma como desfrutei de ambos. Hoje não houve sesta, será que ganhámos um bónus na hora de dormir?

Como foi o vosso fim-de-semana?

Boa noite.

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