Passo o dia dos irmãos com o mesmo sentimento que vivo o Natal, um aniversário, a Páscoa e qualquer outro dia do ano. Passo-o sentido-me incompleta, como se parte de mim me tivesse sido arrancada. Porque tenho uma irmã e a vida, os feitios, os problemas, o diálogo (ou a falta dele), a distância… levaram a um grande afastamento entre nós.

Mas não é por isto que este dia deixa de ser importante. Porque mesmo assim, os meus sentimentos jamais foram abalados e essa é a grandeza do amor entre irmãos. Eu sei que moverei sempre mundos e fundos para a ajudar, se ela assim o quiser, claro; sei que, acima da mágoa e de alguma tristeza, está o amor de irmãs que nos une e que nos irá unir para sempre. E quero muito acreditar que da outra parte o sentimento é igual.

A vida não tem sido fácil para nós e mesmo assim quisemos complicar um pouco mais. A certa altura foi preciso deixar ir para que cada uma de nós resolvesse os seus fantasmas (ou não). Mas não é por isso que deixei de ter irmã, que deixo de pensar nela ou que deixarei de a ajudar quando for preciso. Sei que o mundo pode acabar e nós estaremos lá uma para outra, independentemente das coisas que se poderão dizer e ouvir ou dos motivos que nos afastaram. Sei que os filhos dela recebem uma extensão mágica deste amor, o que faz com que os ame como amo os meus.

E quero acreditar que vai ser sempre assim. Quero acreditar que ter um irmão, longe ou perto, é ter um companheiro para a vida que vai estar sempre lá quando nós precisarmos. É ter alguém que mesmo que não nos aceite, nos conhece melhor do que ninguém. É ter o conforto de saber que não estamos sozinhos no mundo.

Nunca pensei em ser mãe de um só filho, porque, no fundo, eu acredito na pureza e na força da essência do amor entre irmãos Aos meus filhos desejo, porém, que o saibam preservar de uma forma diferente e nunca na distância ou no vazio. Ter um irmão e “fingir” que não temos só para evitar viver com esse sentimento de perda, custa… muito.

Feliz Dia dos Irmãos.

Boa noite

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