Dizem sempre que não existem dois filhos iguais. Por exemplo, há aqueles filhos que são uma espécie de ataque cardíaco constante e aqueles que nos habituam mal, de tão bem comportados que são. Cá em casa não somos excepção à regra. E a miúda que, embora tenha chegado mais tarde, tem feito de tudo para garantir que não fica para trás em nada.

Fora as fases próprias da idade e do crescimento, o Vicente foi daqueles bebés que deixavam qualquer mãe descansada. Foi um bebé que nunca arriscou, que nunca se atrevia e que sempre garantiu que tinha a mãe ou o pai por perto – bem perto! Era aquele bebé que não fugia mal se abrisse uma porta ou que desaparecia, ou mesmo que tenha tido muitas quedas ou que me tivesse obrigado a quitar uma casa inteira à prova de bebé.

Olhava para os filhos dos meus amigos e sabia que tinha sorte, sobretudo tratando-se de um rapaz. Entretanto, tudo isto mudou e o Vicente tem tanta energia quanto é possível uma criança de quatro anos ter. Tem a rebeldia dos terríveis quatro e a teimosia do seu feitio. Mas ainda assim, esta sua natureza mais branda está lá e, felizmente, ainda se faz notar em algumas situações.

Passados quatro anos, temos a Laura, com quase catorze meses, que já teve mais aparatos e quedas do que o próprio irmão neste tempo todo. Estamos naquela fase em que ela não está segura em parte alguma, incluindo a própria casa. É o tipo de miúda que procura o perigo e, pior do que isso, é de ideias fixas. E eu, que até sou uma mãe descontraída e que acha que os miúdos têm que aprender por eles, sofro do coração de cada vez que é para irmos ao parque.

Eu passei a olhar para os parques infantis como uma zona de perigo constante, onde todas as atenções são poucas. Mal chego, já estou a pensar na hora de regressar a casa! Tenho uma filha todo o terreno e que, mesmo antes de saber andar, já trepava os escorregas para chegar ao topo com um sorriso (preocupante) de quem sabe exactamente o que está a fazer. Já corria tudo e, fosse de que maneira fosse, por isso, os joelhos andam sempre negros. Agora que sabe andar, a zona do parque já é pouco para ela, pois mal vê uma porta aberta, corre em busca de liberdade. Sei que os bebés são rijos, mas, por favor, eu olho à volta e, por vezes, vejo-me com um cenário bem negro e ela sempre com o mesmo sorriso preocupante no rosto.

Em casa, por sua vez, já passamos uma semana sem saber do telefone fixo, as gavetas da roupa ficam muitas vezes vazias, os restos de comida que caem no chão são aspirados por ela, a cozinha fica o caos depois da sua passagem, as caixas dos brinquedos totalmente vazias e já me aconteceu achar que tinha a carteira na mala e não ter ou, então, encontrar na minha mala brinquedos que não fui eu que os lá pus.

Por este andar, não sei bem onde iremos chegar e sei que só irá melhorar lá para os seus dois anos, mas mantendo-se este padrão… não sei não! Eu não estava preparada para ter uma miúda e muito menos para que fosse o tipo de miúda “maria-rapaz” que tem sempre uma mazela qualquer a denunciar a sua traquinice…

 

 

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