Actualmente, são muito menos as vezes que temos o pai fora em trabalho. Antes, era uma coisa normal. Aliás, não só era normal estar expatriada, como era ainda mais normal o pai fazer do aeroporto a sua segunda casa. Mas antes era normal e era simples com o Vicente. Actualmente cada saída do pai em trabalho é preciso gerir com mil cuidados e tudo, mesmo tudo, serve de pretexto para uma zanga, um amuo, uma birra ou uma desobediência.

Explicamos ao Vicente, ele entende, mas, ao mesmo tempo, não quer entender. Faz uma pergunta, houve a resposta e, daí a minutos, está novamente a perguntar a mesma coisa, sem entender, De manhã, tem uns minutos em que chora porque quer o pai e, ao fim do dia, temos a birra porque só o pai é amigo dele e eu sou a feia. E, no meio disto tudo, há uma bebé que – valha-nos isso – está sempre bem disposta, olha-nos com um olhar surpreso, sobretudo quando os ânimos se alteram.

Estes dias são igualmente dias em que estou mais cansada e, por isso, com menos paciência. São dias que queremos que terminem mais rápido, que as crianças comam sem birras, que adormeçam “sem stress”. Ter esta premissa é logo um mau princípio, pois eles sentem e sabem quando nós estamos mais ansiosos e mais sensíveis e, regra geral, esta mistura dá um mau resultado. E, a verdade é que, se me colocar no lugar deles, eles próprios têm razão, eles precisam de atenção redobrada – e nós de descanso redobrado…. só que não vai acontecer!

Felizmente, vale-nos as tecnologias e as várias formas de falar ao telefone e ver a cara da pessoa do outro lado ao mesmo tempo. Em  bom rigor, para o Vicente, durante imenso tempo, falar ao telefone era sinónimo de ver a cara do outro lado. O Vicente fala com o pai, acalma-se e acaba por se portar um pouco melhor a seguir. Quando os horários não permitem, já aprendi o truque e peço ao meu marido para gravar um vídeo como se estivesse a falar com ele. Hoje experimentamos e resultou na perfeição, só houve um momento em que pediu ao pai para escutar um minuto e o pai… não se calava 🙂 Mas tirando isso, ficou feliz e isso é que importa!

Amanhã continuamos assim, apenas os três e ele como homenzinho da casa entre as suas miúdas. Esperto, salta para a minha cama, na qual dorme todo contente. Prometi-lhe que íamos comer um gelado e vou cumprir, para além do mais, parece que vai estar imenso calor.

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