Nestas últimas semanas em que tenho andado particularmente ocupada, dei por mim a pensar nas escolhas que fiz há tão pouco tempo. Escolhas essas que foram tão difíceis de tomar, ainda que lá bem no fundo, eu acreditasse que tudo fosse dar certo.

Despedi-me em Novembro, uma decisão minha e por isso com as consequências naturais que daí advêm. Quatro meses depois, passo oficialmente à condição de trabalhadora independente e ainda que tenha perdido toda a segurança de um ordenado fixo ao final do mês e da estabilidade, fazer aquilo que se gosta e onde sentimos que conseguimos colocar realmente tudo aquilo que nós somos, não tem preço. E é por isso que eu não me importo de trabalhar mais horas, de fazer noitadas para conseguir cumprir um prazo, de sentir que passo a vida a trabalhar e de ter uma actividade que não me deixa tirar realmente férias.

Não sei o dia de amanhã, é verdade e também ainda não me adaptei à instabilidade dos dias, dos meses… às vezes, sinto-me uma formiga que trabalha para amealhar no futuro, grão a grão. No entanto, ganhei a certeza que devemos aceitar o que o universo tem para nos dar e que não podemos ter medo da mudança, mesmo que o futuro seja um tabu. Aprendi também que se colocarmos o melhor de nós naquilo que fazemos, isso ainda tem valor e mais cedo ou mais tarde irá ser reconhecido e as portas começam a abrir-se.

Passei tantos anos da minha vida a acordar sem motivação, a contar os minutos para que os dias terminassem, sem alegria e sem identidade. Fui uma pessoa que não sou, porque não havia espaço para ser de uma outra forma. Hoje tudo isso mudou. E mesmo nos dias em que me sinto vazia e sem motivação para preencher umas linhas que vos incentivem a abrir o post, a ler e partilhar, mesmo nesses dias vale tudo a pena. Continua a valer a pena quando ouvimos um não ou quando nem sequer existem respostas. Vale a pena porque, pelo meio do caminho, ganho experiências, conheço pessoas e ouço historias de alguém que um dia teve a mesma coragem do que eu.

Mudar assusta muito, mas há um dia em que se torna inevitável aceitar que há uma oportunidade para nós. O meu conselho: acreditem em vocês. Às vezes, sem sabermos bem como, chegamos lá!

Boa noite.

 

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