Ando em constante auto-controlo, enquanto mãe, sem tentar me esquecer de tudo o leio e aprendo sobre parentalidade positiva. O Vicente deixou de dormir a sesta por completo – escola incluída – e eu vivo em auto-controlo para que não entremos em confronto a todo o momento. Lido com ele como se tivesse uma bomba relógio nas mãos, o que implica termos todos os cuidados para que não exploda e, mesmo vivendo neste auto-controlo constante, há momentos, em que eu própria me canso de ouvir a minha própria voz.

Vicente, pára!

Vicente, não!

Vicente, já te avisei!

Vicente, por favor!

Vicente, não ouves a mãe?

Vicente, por favor, levanta-te do chão/não grites/não respondas mal!

Vicente! Vicente! Vicente!

Os bebés dão trabalho, mas não exigem este esforço mental e emocional que os quatro anos exigem – e suponho que, daqui para a frente, educar parta muito disto. Eu vivo em auto-regulação e tento ser o mais compreensiva e paciente possível. Mas… e quando eles fingem que não nos ouvem? Quando nos respondem com expressões impróprias para a sua idade? Quando gritam e esperneiam sem parar? Quando combinamos uma coisa e eles acabam por fazer tudo ao contrário? Quando cedemos em prol da paz do momento e, mesmo assim, eles tentam colocar-nos à prova? Quando é que a minha auto-regulação me vai ajudar a não gritar, a não dar uma palmada ou, então, a não dar algo em troca de um comportamento que eu quero? Quando?

Sei que, na prática, é tudo muito diferente daquilo que lemos nos livros sobre parentalidade positiva ou nos livros que nos ensinam a falar para as crianças ouvirem. Sei que, no cara-a-cara, às vezes, nada parece resultar e eu acabo por vacilar à grande. Ainda assim, conforto o meu coração de mãe, quando me apercebo que a base está lá, aquilo que ele finge não ouvir, fica lá e que, na sua relação com o mundo e os outros, ele é um bom menino e é um menino meigo.

No entanto, no meu profundo esforço de auto-regulação não deixo de me sentir encurralada no meio de tantos princípios educativos, face aos quais eu, muitas vezes, não consigo estar à altura. O não gritar, o não à palmada, o não à recompensa, o não a tantas coisas e o sim, à compreensão, ao diálogo, ao conforto, à segurança… aahhhh e eu que quero ser essa mãe carregada de mind-fullness e que, tantas vezes, sou uma mãe que gere o momento em função das exigências do dia-a-dia?

Ontem tive um dia muito difícil com o Vicente, talvez o pior. Não quis escrever a quente, não quis reagir no momento e deixar que a fúria – e também muita frustração – se apoderassem das minhas palavras. Mas foi um dia em que tive vontade de sair, passar a pasta de mãe a outra pessoa e deixar de sentir esta responsabilidade tão grande por alguém. Obviamente que não o desejo fazer, simplesmente, há momentos em que me sinto impotente na forma como hei-de resolver a situação.

Como é que anda esse equilíbrio por aí?

Seguem todos os princípios da parentalidade positiva?

 

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