Um presente envenenado, digamos assim, para os nossos filhos. O tempo melhora, faz sol, calor e a vontade de aproveitar é tanta que começamos logo a vestir menos roupa e a passar mais tempo na rua. E, frequentemente, daí a uns dias (ou não), os miúdos aparecem doentes.

Mas não posso dizer que os meus filhos sejam umas flores de estufa. Tenho consciência da minha sorte, pois foram muito poucas, as vezes, em que tive motivos para me preocupar de verdade com a saúde de ambos. Com o Vicente foram duas vezes, uma teve a ver com o princípio de balanite (mas que, com muita paciência, estamos a conseguir resolver, colocando, para já, de lado a possibilidade de cirurgia) e a outra foi quando ficou internado uma semana, com um vírus que nunca chegamos a ter a certeza o que foi. Já a Laurinha, uma rija de primeira, tem-se mantido imune aos vírus do irmão, embora tenha passado todo o inverno com ranhocas e alguma tosse. Mas febre mesmo contam-se pelos dedos de uma mão.

Esta súbita melhoria de tempo – que aliás, se tem mantido – não foi excepção e, a seguir ao irmão, foi a vez da Laura começar com febre, tosse e ranho! Um quadro normal, contudo, se há coisa de que tenho receio é que as tosses evoluam sempre para algo mais e que eu não me dê conta – enquanto estou preocupada em vigiar a febre. Eu não adio muito a observação médica, mas também é verdade que, cada vez menos, arrisco as idas ao hospital sem que seja estritamente necessário e todos nós sabemos bem o porquê. E mesmo quando é necessário, ainda existem alternativa, como esta.

Porém, o pior de tudo isto, querem saber o que é? Voltar à noites (pessimamente) mal dormidas, juntamente com o desespero por ver os ponteiros das horas avançarem pela noite dentro. Desespera-me, porque ainda há pouco tempo implorava para dormir uma noite inteira e quando tudo parece estar a entrar nos eixos… ficam doentes! Ficam doentes, comem menos, dormem ainda pior, pedem mais mimo, ficam com os horários todos trocados, os vírus passam e as rotinas estão todas fora dos eixos. Já repararam na facilidade com que tudo o que estava a correr tão bem, volta ao seu estado mais primário? Mas os filhos estão doentes, precisam de mimo e nós vamos dando, custa-lhes a eles e custa-nos a nós vê-los assim. Os dias passam, eles melhoram, afeiçoam-se ao mimo e as rotinas… bem, quais rotinas?!

Mas a verdade é que, com eles, arranja-se sempre uma forma de compensarem durante o dia seguinte, aquilo que não descansaram na noite anterior, já nós, vamos acumulando durante dias (e dias) aquilo que não conseguimos dormir durante noites (e noites).

Quem mais está com filhos doentes em casa?

Boa tarde.

Comentários

comentários