Mas antes, conto-vos uma pequena história…
Há pouco mais de quatro anos, era eu uma miúda que vivia o resultado de ter optado pela estabilidade que me permitia sustentar-me de forma independente. Mas não era uma miúda feliz, eu tinha sonhos que não podia realizar, não tinha tempo para as minhas paixões e sentia-me frustrada por não ter oportunidade de exercer verdadeiramente aquela que tinha sido a minha formação. Mas, bem ou mal, aquela tinha sido a minha escolha e com a qual vivia.
Entretanto, engravidei do meu primeiro filho e quando o Vicente nasceu, eu arrisquei e larguei tudo – e mesmo sem o saber, estava, naquele momento, a assinar a minha carta de rescisão – fiz as malas e vivi durante dois anos em Bruxelas. Naquela cidade, fui mãe 24 horas por dia, esposa outras 24 horas e dona de casa outras 24 horas e tudo isto eram coisas muito novas para mim e todas a serem vividas ao mesmo tempo. Lidei com o preconceito e com as opiniões de que estaria a cometer o maior erro da minha vida, pois: o que seria de mim depois do Vicente crescer e o que seria de mim, caso alguma coisa corresse mal? 
E foi preciso chegar até aqui para conseguir responder com toda a convicção: 
– O que seria de mim se nunca tivesse tomado esta opção? Se nunca tivesse ousado arriscar? 
– O que seria de mim, se não tivesse tido a oportunidade de ser eu mesma e de me reencontrar com os meus sonhos? 
– O que seria de mim, se a única vida que tenho para viver tivesse sido vivida de forma infeliz e conformada com a estabilidade? 
– O que seria de mim se nunca tivesse tido a oportunidade para ser autêntica?
Ao longo destes quatro anos, eu fui “sendo eu” no meu lado mais verdadeiro, encontrei formas de me auto-motivar e de me auto-cuidar. Tive oportunidade para ficar mais atenta aos detalhes. Conheci-me como nunca tinha conseguido conhecer antes, enfrentei os meus defeitos, aceitando-os para conseguir melhorar e reconheci as minhas qualidades… Numa palavra: reinventei-me! 
Aos longos dos últimos anos, aquela que, para muitos, tinha sido uma decisão irracional e que colocaria em risco o meu futuro, acabou por ser a minha salvação, pois entendi como é importante não nos deixarmos para segundo plano ou aceitarmos menos do que aquilo que merecemos. Ser feliz é uma escolha, mas é uma escolha que dá trabalho manter dia após dia, porque ser feliz não cai do céu, não advém do factor cunha e não é a “sorte” dos privilegiados.
Quando decidi despedir-me, eu tinha um plano traçado, o de ser feliz e o de conseguir dizer: eu sinto-me realizada pessoal e profissionalmente. E, neste campo, trabalho muito para que o sonho se materialize também na parte financeira – que é essencial à sobrevivência de todos. Ninguém se despede ao acaso, verdade, mas eu despedi-me, sobretudo, porque não podia voltar atrás e porque não queria ter que abdicar novamente de um sonho que estava a ficar real. Calculei alguns riscos, fiz opções e não irei baixar os braços até conseguir chegar onde quero (e onde sei que vou ser capaz de chegar). Já vos disse que ser feliz dá muito trabalho? E já vos disse que é um trabalho árduo mas, ao mesmo tempo, tão compensador?
Neste dia Internacional da Mulher, não há nada mais para provar ou dizer que não o façamos todos os outros dias do ano. E mais do que exigir uma igualdade de direitos, porque não exigir sermos valorizadas e respeitadas pelas decisões que tomamos para a nossa vida?

dia internacional da mulher

Fotografia: Sofia Batista, Lovetography

E retomando o título deste post: Mulher, tenho alguns recados para ti.

1. Cuida de ti.
Acima de qualquer outra coisa, de uma profissão, de um filho, de um casamento, dos estereótipos ou daquilo que a sociedade pode esperar de ti, cuida-te! 
Nutre o teu amor por ti, pois só assim conseguirás encontrar a tua verdadeira felicidade.
2. Sê Autêntica; sê tu própria!
Não precisas ser igual a ninguém, tu tens a tua própria luz. Conhece-te a ti mesma, encontra essa luz e deixa-a brilhar. 

3. Investe em ti.
Não te deixes acomodar, exige o teu tempo para ti e só para ti. Lê uma revista, faz um workshop, inscreve-te no ginásio, faz qualquer coisa que te dê verdadeiramente prazer e que seja de lazer.
4. Aprende a delegar e a partilhar. 
Divide as tarefas da tua casa e do teu dia-a-dia com o teu companheiro. Atribui responsabilidade à outra parte e isso dar-lhe-à confiança também a ele.
5. Não busques a perfeição aos olhos dos outros.
Não tens que ser perfeita para ninguém, tens que, acima de tudo, gostar de ti mesma e ser a tua melhor versão. 
6. Não desista de ser FELIZ
Nem delegues em ninguém – para além de ti mesma – essa grande responsabilidade!
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