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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

3 Ideias De Finger Foods | Uma Enfermeira Em Casa Dos Vs

31.03.17 | Vera Dias Pinheiro
Há um novo vídeo Uma enfermeira em casa dos Vs para vocês no Youtube. Desta vez, lancei o desafio à enfermeira Carmen Ferreira (ou ela a mim) de me ajudar a preparar fingers foods para a Laura - que, depois, vão perceber que é apenas mais uma forma de estarmos a cozinhar para toda a família e, consequentemente, de estarmos a facilitar a nossa vida de "mãe e donas de casa".

finger foods

Estas ideias de finger foods são, na realidade, receitas "tradicionais" adaptadas para uma versão mais saudável e que, sobretudo, privilegiam os nossos bebés. Pois, aos longo das várias conversas com a Carmen, fomos aprendendo dicas essenciais para nos prepararmos (a nós e aos nossos bebés) para o momento da introdução da alimentação complementar e agora é o momento de colocar tudo isso em prática. Por exemplo, os factores a ter realmente em consideração (nomeadamente, as regras para o Baby Led Weaning); como confeccionar as refeições (nomeadamente, como usar as especiarias); e, acima de tudo, a importância da forma como escolhemos os ingredientes para as refeições, sejam no método tradicional ou no Baby Led Weaning - e estes são apenas alguns exemplos.

Já sabem que todas estas informações estão disponíveis no Youtube, em vários vídeos, basta acederem ao canal e fazerem um refresh de toda a informação sempre que for possível ou partilharem com alguma amiga que esteja a passar por esta fase tão importante. 

Neste, que será o último vídeo antes de iniciarmos os Workshops no Centro Comercial Alegro de Setúbal, apontem, pois são estas as receitas para finger foods que vão encontrar:

1. Egg Muffins
2. Pastéis de bacalhau saudáveis
3. Nuggets de Frango



E agora já sabem:

Dúvidas que surjam, deixem nos comentários no próprio Youtube; deixem o vosso gosto - se for caso disso, claro - e, por favor, subscrevam o canae activem as notificações, pois só assim ficam a par dos nossos vídeos em primeiro lugar: 


↠ Subscrevam o canal! 

Obrigada.
Boa noite ❤

Um Convite Quase Obrigatório

31.03.17 | Vera Dias Pinheiro
style


Neste sábado, o Centro Comercial Alegro de Alfragide - E EU - está à vossa espera para um dia totalmente dedicado à moda e ao estilo. É já no dia 1 de Abril que se assinala a 6ª Edição do STYLE (by Alegre) que este ano conta com a presença da revista Vogue. 

style


Como podem ver pelo programa, entre as 11h00 e as 19h00, vão ser várias a iniciativas que irão decorrer, desde: mudanças de visual na hora (com aconselhamento e consultadoria pela stylist Inês Viana), sem esquecer a make-up com a Marta Alves; e os cabelos, a cargo da L' Oreal Paris.  Também se vai falar de alimentação saudável e ainda vai haver tempo para conversar... sobre moda e estilo! 

E obviamente que, num dia destes, tem que haver tempo para se falar também sobre os mini-fashionistas, pois: é ou não verdade que, hoje em dia, a moda infantil está tão ou mais desenvolvida que a feminina e a masculina? 
É precisamente para falar sobre isto (e muito mais) que eu irei lá estar, entre as 17h00 e as 18h00, com duas convidadas muito especiais e com a vossa companhia, assim o espero, para uma conversa descontraída, animada e de partilha de experiências, pois na maternidade é mesmo assim: nós vamos aprendendo com a partilha umas das outras (das mães e dos pais). 

Convém referir ainda que, não só tudo isto é gratuito, como ainda, o Alegro vai estar a oferecer, por cada 50 euros em compras, 25 euros em cartão (para usar no próprio dia).

E, pronto, hoje é esta sugestão que vos trago para este fim-de-semana, porém não se esqueçam que a agenda Pumpkin já está disponível e como sempre com as melhoras actividades e programas para as famílias. 

Conto com vocês no sábado! ?

Boa tarde.
Beijinhos.


KARE About Your Home | Dica Da Semana #14

30.03.17 | Vera Dias Pinheiro
Eu sou daquelas pessoas que precisa sentir-se em casa, porque gosto efectivamente de passar tempo em minha casa - e, hoje em dia, trabalho a partir de casa também - e, por isso, eu dou bastante importância aos elementos que fazem parte dela e que, no seu conjunto, dão vida ao nosso lar - que é a palavra que eu mais gosto de usar. 

No meu caso, que me considero uma pessoa bastante minimalista e que encontra bem-estar nos brancos, acho sempre que isso acaba por funcionar a meu favor na hora em que sinto vontade de mudar alguma coisa - claro, que o facto, de achar que também é possível ter uma casa ao nosso gosto sem termos que fazer obrigatoriamente um grande investimento financeiro também facilita, não é? Aliás, é precisamente isto que nos permite ter "a margem" para as mudanças ocasionais. Por exemplo, quando muda a estação do ano; ou quando os miúdos crescem e passam a ter necessidades diferentes; ou, então, para podermos investir em peças-chave que fazem a diferença na decoração. 

Posso dizer-vos que na nossa última mudança de casa e com filhos - um a nascer pelo meio - ficaram por encontrar essas tais peça-chave, mas como eu também acho que as boas compras fazem-se sem planear, é deixar andar, sem deixar de visitar - de quando a quando - as lojas de decoração e de design das quais gosto mais. A loja KARE é um desse casos de amor que já veio comigo desde Bruxelas e que, com apenas uma primeira loja aberta em Lisboa, no Lx Factory, abriu recentemente uma segunda, no bairro de Campo de Ourique - enorme!!!!

kare design

kare design

kare design



kare design

Eu tive a oportunidade de passar por lá no dia da sua inauguração, no início de Março e digo-vos que vale muito a pena a visita. Façam-no assim só porque sim, só porque vos apetece verem coisas giras e diferentes. Pois, para quem ainda não conhece, a marca KARE, onde encontram artigos de decoração e iluminação para a casa, é conhecida pelo seu lado original e inovador, trendy e, ao mesmo tempo, elegante. 

Deixo-vos aqui algumas das peça ícone da marca:






Situada na Rua Almeida e Sousa, nº 3 em Campo de Ourique, deixo-vos aqui a sugestão para uma uma visita a esta nova loja da marca KARE, ao mesmo tempo que, aproveitam para dar um passeio num dos bairros mais giros e com mais vida de Lisboa.

Fica a dica para esta semana.
Espero que gostem ?


Boa tarde!
Beijinhos


P.s: Mais logo, vamos ter um novo vídeo, o último antes de iniciarmos os nossos workshops no Centro Comercial Alegro de Setúbal. Para quem ainda não viu, encontram todas as informações neste post: Workshops Uma enfermeira em Casa dos Vs


Como assim já fazes um ano?!

29.03.17 | Vera Dias Pinheiro
Como assim já fazes um ano? Como assim voltou tudo a passar tão rápido? Como assim vais começar a seguir o caminho do teu irmão e crescer cada dia mais e mais? Como assim os teus dias de bebé estão a ficar para trás? Como assim?

Fecho os olhos e cada momento daquele dia está gravado na minha memória, fazem-me sorrir de tão bom que foi tudo aquilo. Vieste para fechar um ciclo e embora nunca seja a palavra proibida, de forma egoísta, eu não quero ter mais filhos (também) porque é esta a última lembrança com que quero ficar de um parto.

Trouxe-te para casa, segura que a partir dali tudo seria fácil, mas não foi! Levamos o nosso tempo a encontrar-nos, não eras a única filha, desta vez, e eu estava dispersa e meio perdida. No fundo, estava à procura de conseguir dar o meu melhor a dois filhos, sem deixar que cada um se sentisse como único. Mas, nesse percurso meio atribulado, havia um momento em que tudo fazia sentido: quando me pedias para mamar.  Espero que a livre demanda não tenha contribuído para a tua teimosia e para a tua forma já tão assertiva de quero tudo no imediato. Ralhas muito, talvez em igual proporção na forma genuína como te ris - valha-nos isso.

Se o facto de seres a segunda filha te tirou a exclusividade em muitas coisas, trouxe-te uma coisa única, a de que eu agora sei como tudo passa demasiado rápido e que as fases não passam disso mesmo, fases: as cólicas, os dentes... tudo tem um início e um fim e a evolução é constante, com desafios cada vez maiores e mais complexos. Por isso, minha filha, podes ter a certeza que relaxei e saboreio-te de uma outra forma e com toda uma outra tranquilidade.

Porém, é por ter esta consciência que tenho por estar a viver algo que já vivi uma primeira vez, que fico assustada, porque tudo passa e, na minha memória, muitas coisas se apagam. Devia registar mais, escrever mais a vossa história, bem sei... Tudo passa e tão rápido.

Olho para ti e continuo sempre a perguntar-me a mesma coisa: como assim já passou um ano desde que te tive nos meus braços pela primeira vez? Acredito que o facto de mantermos a amamentação durante tanto tempo foi uma forma de te segurar bebé por mais algum tempo... mas tu és determinada e quando já não queres alguma coisa, não há quem te demova, largas tudo e segues a tua vida.

Minha querida filha, como assim fazes hoje um ano?!





Muitos parabéns, minha querida filha!
Amo-te como só uma mãe sabe amar, neste amor imenso e neste misto de alegria por te ver crescer e de tristeza também por isso mesmo. Somos mães, afinal, é mesmo assim, oscilamos entre várias estados de emoções e todas elas contraditórias entre si e por isso mesmo é que tudo isto é tão maravilhoso e tão intenso.


Um beijinho,
A Mãe.




Dorme Bem, Bebé! | Passatempo para noites felizes

28.03.17 | Vera Dias Pinheiro

Numa semana que é de festa, eu quis aproveitar e celebrar a grande conquista dos últimos tempos da Laura e estou a falar, obviamente, do sono! Após o período conturbado que vivemos, esta doce menina afeiçoou-se à sua cama, onde já dorme noites inteiras e em que adormecê-la deixou de ser algo penoso, para dar lugar a alguma tranquilidade e a alguma paz. Sem dúvida que, para mim. esta foi a nossa grande conquista neste primeiro ano de vida. 

Por isso, nada melhor que assinalar este momento com um passatempo que tem tudo a ver com o sono. Calma! Infelizmente, não vos vou conseguir oferecer packs de noites de oito horas de sono seguidas e sem interrupções. Porém, posso oferecer-vos um conjunto de lençóis confeccionados em algodão 100% orgânico, que vão de certeza contribuir para noites muitos mais descansada e aconchegadas.  


Eu posso e vou mesmo fazê-lo, numa parceria com a marca portuguesa de artigos para bebés, a Gloop! E aqui, para além de estar a privilegiar o que é nacional, estou também a contribuir para que possam conhecer e experimentar artigos de grande qualidade, pensado e confeccionados a pensar exactamente nas várias necessidades dos mais pequeninos, pois para além dos conjuntos de lençóis, voces encontram muitos outros produtos todos eles importantes para estes primeiro anos.


Contudo, como me foi dada a possibilidade de escolha, eu achei que não havia outro artigo tão indicado e que nos dissesse tanto quanto um conjunto de lençóis, fofinhos, que protege a saúde e bem-estar do bebé, pois os tecido são efectivamente de grande qualidade e os estampados feitos com tintas à base de água.

Sendo assim, e voltando à parte mais importante, As viagens dos Vs, em parceria com a Gloop!, tem para vos oferecer um conjunto de lençóis (para camas de 60*120cm ou 70*140cm) semelhante ao que vêm nas fotografias.


O vencedor vai poder escolher o padrão que mais gosta, dentro das várias opções disponíveis e que podem consultar directamente através deste link: 


Mecânica para este passatempo:
  1. Ser seguidor(a) no Facebook d' As viagens dos Vs e Instagram @veradpinheiro;
  2. Ser seguidor(a) no Facebook de Gloop! e Instagram @gloopbaby
  3. Ser seguidor(a) do blogue As viagens dos Vs;
  4. Partilhar publicamente o post do passatempo (no Facebook) e identificar 3 pessoas;
  5. Preencher o formulário abaixo:



*Este passatempo tem início hoje, dia 28 de Março, e terminará no dia 6 de Abril, às 23h59, sendo o vencedor apurado aleatoriamente via Random.org e anunciado no dia seguinte também aqui no blogue.


Participem! Partilhem! E boa sorte!


Boa noite.
Beijinhos

Quando finalmente engravidei da Laura. Sim, finalmente!

28.03.17 | Vera Dias Pinheiro

Há um ano atrás, este foi o dia em que tudo começou, o dia em que comecei a preparar o meu trabalho de parto, com a calma e a serenidade que me tinham faltado da primeira vez. Tinha sido mais um dia normal na minha gravidez, fui ao ginásio de manhã e à consulta da rotina das 38 semanas. Andava mais esquisita - esse é o termo certo - mas depois do último CTG estar tão imóvel quanto uma linha recta, deixei-me andar na minha esquisitice das últimas semanas, sem saber que, em menos de 24 horas, teria a minha filha nos meus braços.


Um ano passou desde esse dia que, para mim, foi o culminar de toda a preparação que vinha a fazer praticamente desde o dia em que soube que finalmente tinha conseguido engravidar - sim, finalmente! Foi um ano absolutamente maravilhoso, mesmo durante os dez meses em que não dormi praticamente nada. Um ano com tanto para contar do tanto que aprendi e vivi.


Nunca quis ser mãe de filho único, havia espaço para mais um nas nossas vidas, mas especialmente na do Vicente. Também nunca quis esperar demasiado tempo entre os dois, sempre achei que as idades próximas seriam importantes para a cumplicidade entre ambos, pois iria facilitar o companheirismo e as aventuras em conjunto. Mas entre o dia em que tomamos a decisão de ter mais um filho e o concretizar dessa vontade, passou-se mais tempo do que aquele para o qual eu estaria à espera e preparada e foi, então, que passei a viver de perto uma realidade que ninguém - que deseja ter um filho - quer viver: a da dificuldade em engravidar.


A rapidez com que engravidei do Vicente, fez-me esquecer que anteriormente me tinha sido sempre dito que seria complicado engravidar. Em menos de um mês estava a fazer o teste em casa, cujo o resultado não oferecia quaisquer dúvidas. Quando voltamos ao assunto do segundo filho, deparei-me com uma realidade completamente diferente. Não havia qualquer hipótese de engravidar e eu fiz o normal que todas nós fazemos: ginecologista, exames e, depois, o procedimento normal de quem recorre a médicos especialistas em infertilidade.Comecei pelas hormonas, passei a fazer as contas aos dias em que devia ter relações sexuais, colocava alarme para não me esquecer do tomar comprimido. E foi este foi um procedimento que repeti todos os dias durante três meses, supostamente emanava fertilidade por todos os meus poros, mas não... estava tudo igual, nenhuma evolução. Mudei de médico, voltei aos exames, as hormonas, à contabilização dos dias em que devia ter relações sexuais. Levei injecções, esperei o tempo necessário e voltei a tentar.


Felizmente o meu processo terminou aqui. Felizmente, consegui engravidar apenas com esta "pequenina ajuda" - para mim não foi, tudo pareceu durar muito tempo, foi muito desgastante fisica e emocionalmente e quer queiram quer não, o corpo da mulher é bastante sacrificado durante todo este processo de engravidar e ter filhos. Porém, tudo isto foi apenas uma gota no oceano daquilo que podem ser os tratamentos de fertilidade, que podem ser muito mais intensos e dolorosos - muitas vezes, mais para a alma do que para o corpo.


Entre engravidar e os nove meses de gravidez, passei muito tempo na parte da infertilidade do hospital, percebi que estava longe de ser caso única e que entre aquelas pessoas, eu era ainda uma privilegiada, porque os primeiros tratamentos tinham sido suficientes. Vi pessoas de todas as idades, percebi que havia casais com problemas mais complexos e passei a reconhecer um brilho diferente no olhar daqueles que venciam a infertilidade e que conseguiam engravidar.


Ainda se fala muito pouco, mas julga-se muito... questionamos com facilidade (e insistência) quando é que um casal decide ter o primeiro filho? Ou, então, senão pensa em dar um irmão ou irmã? Não pensamos que do outro lado, pode estar alguém que quer muito ter um filho, mas que não está a conseguir, que não tem respostas para isso, mas que também não quer ouvir as pessoas à sua volta a questionarem.


Foi um ano se passou sobre esta história da minha vida, com mais uma grande aprendizagem e, mais uma vez, com mais uma prova de superação de mim mesma para dar. Que quando vos digo que a maternidade veio transformar por completo a minha vida, acreditem porque é mesmo verdade!


Para quem passa por uma situação desse género, é normal que, entre outras coisas:


- fique aborrecida quando tentam desvalorizar as coisas dizendo coisas como, por exemplo, "um ano a tentar engravidar não é nada". Um mês, seis meses, um ano... é tudo demasiado tempo para quem está a tentar engravidar e não consegue por motivos desta natureza;


- a última coisa que queira ouvir seja"abstrai-te, pois vais ver que engravidas num instante!". Sei que é com toda a boa vontade, mas ninguém que tenha um calendário para ter relações sexuais, comprimidos e injecções para tomar e em que todo o acto do amor natural que gera uma vida é complemente absorvido por procedimentos médicos, consegue estar como se nada fosse!


- a pessoa fuja a dar respostas aos outros;


- não partilhe imediatamente a alegria de saber que está grávida, pelo menos até ter certeza de que está mesmo tudo bem,


- que nem sempre consiga estar feliz quando uma amiga fica grávida, sem sentir imediatamente uma tristeza...


Eu fui acompanhada na PMA (Procriação Medicamente Assistida) do Hospital dos Lusíadas e só tenho coisas muito boas a dizer do meu obstetra em particular, claro, mas também de todas as pessoas que fizeram parte deste processo, que se estendeu até ao dia do parto.


Se quiserem colocar alguma questão sobre este assunto, podem fazê-lo de forma privada que eu respondo.
Boa tarde!

Não consigo agradar a toda a gente!

27.03.17 | Vera Dias Pinheiro
dublin


Não consigo agradar a toda a gente, especialmente porque isso implica estar sempre a pensar nos outros em primeiro lugar, em vez de pensar em mim. Não consigo viver para dar conforto, compreensão e espaço à vida e aos problemas do outros e deixar que a minha fique em suspense, à espera do tempo para mim - que, diga-se de passagem, passa a ser francamente insuficiente depois de termos filhos.

Nesta fase, em particular, há coisas que me são verdadeiramente difíceis de alcançar:

- Ainda estou longe do meu de equilíbrio, após a minha maratona de dez meses em privação do sono. Não consigo explicar mais do que dizendo apenas que sinto o meu corpo a latejar e para o qual todas as horas que possa passar na cama, são poucas. O corpo pesa-me todos os dias e todos os dias eu contrario a sua vontade. Por isso, eu simplesmente não consigo acordar bem disposta, leve e sorridente, não consigo! Foram dez meses a gerir um estado de ansiedade sempre que se aproximava o fim do dia e de imaginar como iria ser aquela noite. Foram dez meses a tentar levar tudo isto na boa, como se não fosse nada comigo. Mas, caramba, foi comigo, sim! 
- Ter dor de cabeça e estar bem-disposta para os outros e para os problemas dos outros, é também uma coisa que eu não consigo ser;
- Não consigo colocar os meus problemas de lado para dar privilégio aos dos outros ou para viver os problemas dos outros com a importância que esses mesmos outros acham que nós lhe devemos dar;
- Não consigo responder às várias solicitações - para fazer quatro ou cinco coisas diferentes e ao mesmo tempo e concluir todas elas com sucesso;
- Não consigo ter a mesma memória e a mesma capacidade de raciocínio que tinha antes de ter filhos;
- Não consigo ter a mesma energia quando meu corpo exige descanso e implora por umas horas a mais de sono;
- Não consigo sorrir para o mundo do outros, quando meu mundo está a desabar;
- E, muitas vezes, não consigo ser melhor na forma como o outro me trata. Caio no erro de responder de igual forma, porque o meu cansaço não me deixa fazer melhor.
- Olhem, e também não consigo mais fingir que não estou cansada ou que não tenho sono. Não, não consigo fingir mais que comigo está sempre tudo espectacular e, por isso, manda aí todos os teus problemas que eu aguento, ouço e, no fim, ainda te dou uns conselhos;
- E talvez, ainda mais grave, eu não consigo interessar-me por conversas random quando tudo o que me apetece é estar sossegada no meu canto e usar todo o tempo que consigo ter para mim, investindo no meu trabalho;
- Perdoem-me mas não consigo mais ser aquela pessoa que está sempre com boa cara.

Desculpem aqueles a quem eu não consigo agradar 24 horas por dia, quando muitas vezes, essas 24 horas do dia servem para tudo, menos para mim. Desculpem-me aqueles que esperavam de mim o impossível, a perfeição e a dedicação que me obriga a dar mais de mim essas pessoas do que à minha própria vida. 

Antes, a minha vida era relativamente exigente. Basicamente, ia para o meu trabalho, sentava-me, fazia as minhas tarefas (sendo o grande desafio o de deixar o menos possível por fazer para o dia seguinte); fora dali, não tinha ninguém para ir buscar à escola; a lembrar-me de que o jantar não pode ser simplesmente uma taça de cereais com leite; que há actividades, que é preciso não esquecer dos recados, das consultas no médico, de levar ao parque, de dar banho, jantar, adormecer e, muito importante, brincar. Antes, a minha vida tinha realmente espaço para todos aqueles que procuravam alguém que os ouvisse, que tivesse o tempo, a disponibilidade e ainda uma palavra e um ombro amigo para dar.

Porém, a minha vida de agora é diferente e depende apenas de mim, a sua evolução faz-se sempre acompanhar pelo meu estado de espírito e sofre directamente com os meus baixos e beneficiam directamente com os meus altos. mas a verdade é que para já, não me sobra muito tempo para outras coisas, como cafés, almoços, envoltos de vazio e de conversas da treta, para os problemas dos outros e, especialmente, para agradar aos outros. 

É que, por incrível que pareça, nestes dias menos bons, nos momentos em que os problemas parecem sufocar-nos, ainda assim, eu contínuo a ter que saber colocá-los de lado e a fingir que eles não existem, pelos meus filhos. Não posso deixar que a dor de cabeça latejante, impeça o meu filho de levar o poema da primavera feito para entregar na escola; não posso deixar que a minha falta de paciência, interfira no momento de adormecer a minha filha; que o cansaço me impeça de ir ao supermercado comprar o leite que é preciso levar para a escola no dia seguinte; de fazer o jantar; ou de desfrutar do momento de brincadeira com eles. Na verdade, são eles as únicas pessoas que podem e devem realmente exigir o que quiserem de mim. 

Bem sei que é bem mais fácil e tentador apontar o dedo e cair na crítica, em vez de apontar as coisas boas que fazemos. Bem sei, mas antes eu tinha tempo para me preocupar com isso e hoje em dia, eu não tenho tempo para conseguir agradar a toda a gente!

Se são também daqueles pessoas que sentem que, há momentos, em que parece que as pessoas à vossa volta exigem mais do que aquilo que dão, deixem nos comentários e partilhem os vossos truques para se protegerem.

Boa noite.


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