Ontem assinalou-se o Dia Mundial da Luta contra o Cancro. Uma
doença, muitas vezes, silenciosa, que afecta cada vez mais pessoas e mais
jovens.

Há algum tempo atrás uma amiga
minha disse-me, da forma mais natural possível: “Eu tenho cancro”. Porém, eu só tive
tempo de ficar em choque nos primeiros instantes da nossa conversa e
quando a vi pessoalmente, mais tarde. A sua força de viver é tão forte e tão
contagiante que não há espaço para esta doença ter um lugar de destaque na sua
vida e nem da daqueles que a rodeiam.

A Patrícia tem quatro filhos (Matilde de 4, os gémeos Rodrigo e Gonçalo de 8 e a
Maria de 9 anos) e, claro que, uma das partes mais difíceis deste processo foi
ter de lhes contar que estava doente e que, em algum momento, eles iriam ter
que ver a mãe sem cabelo. Conviver com os olhares e com os comentários também
exigem alguma habituação, mas a Patrícia não tem facilitado a vida a esta
doença maldita, pois encontrou uma nova forma de viver que a tem permitido estar bem, confiante e
cheia de vida. Segundo ela, desde que lhe foi diagnosticado cancro e até hoje,
só houve uma noite que perdeu a pensar nisso. A sua principal preocupação é
cuidar bem de si e do seu corpo e para isso, não deixou de se exercitar e
passou a ter uma alimentação mais alcalina.

Este testemunho real que vos trago não é para nos deixar com tristeza, talvez
comovidos, mas jamais tristes. Para mim, tem sido uma lição de vida, porque eu
só de ouvir a palavra cancro fico devastada, e a Patrícia tem levado as
coisas com a forma de estar de uma verdadeira lutadora, ela não aceitou esta
doença para si e a única coisa que ela deseja é que esta fase má passe
rápido.

“Eu descobri que tinha
cancro a 10 de Outubro de 2016, depois de alguns meses a ser-me feito um
diagnóstico completamente errado o que fez com que tivesse a confirmação da doença
já num estado considerado avançado. Valeu-me a minha teimosia, pois tenho
bastantes antecedentes familiares e a verdade é que sempre achei que um dia
esta doença poderia bater-me à porta.
Contar aos meus filhos foi uma das minhas preocupações, pois tinha medo da
reacção deles, mas acabou por correr tudo bem. Optamos por não entrar em
grandes pormenores. E, desde esse dia, que o nosso dia-a-dia tem sido
normal, a única coisa de diferente é ter deixado de os acompanhar tanto
nas suas actividades extra-curriculares, que são muitas. O comportamento deles
também não se alterou, principalmente na escola, onde tenho andado mais atenta.
Elas são umas crianças fantásticas e nunca me viram chorar chorar ou triste.
Penso que isso seja muito importante para a estabilidade deles. Para além
disso, têm muito apoio do pai e dos avós. Por exemplo, nos dois/três dias a
seguir ao tratamento, os quatro ficam em casa dos avós, para eles é uma festa e
eu posso estar mais descansada e mais à vontade porque esses são os dias mais
complicados em todo este processo.” 
Neste momento, a Patrícia fez
a sua última sessão de quimioterapia, daqui para a frente segue-se outro
tipo de tratamento e outras batalhas, o caminho é ainda longo. Mas, segundo
ela própria, o importante é “tratar-me e ficar boa. Não tenho mágoa nem
fico revoltada, aconteceu e agora tenho que me tratar.”
Acredito
que, desse lado, possam estar muitas mulheres a identificar-se com o testemunho
da Patrícia e é para vocês que vão estas palavras: “É uma fase delicada. dolorosa até, mas nunca desistir. Manter sempre o pensamento positivo, pois uma grande parte da nossa cura está aí e na qualidade da nossa alimentação”. Para ela, os pilares da sua cura são três: positivismo + tratamento + alimentação saudável.


A todas as outras mulheres, a Patrícia deixa um alerta “façam o vosso rastreio todos os anos e procurem sempre uma segunda opinião, principalmente havendo casos na família”.

Visitem o blogue da Patrícia, um autêntico
diário sobre este período da sua vida: 

Boa noite ❤

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