O ideal seria termos filhos que já viessem ensinados; filhos que, por exemplo, adormecessem sozinhos, que chorassem pouco e, de preferência, baixinho. Ou, então, filhos que, por exemplo. não façam birras na hora de se vestirem – sobretudo, quando estamos atrasados para sair de casa – na hora de comer – e, melhor ainda, que o façam de boca fechada e sentados direitos na cadeira – e ainda na hora de tomar banho. Filhos que não tenham escuta selectiva e que respeitem os nossos pedidos; filhos que também ajudem à medida do que sua idade vai permitindo; filhos que não nos envergonham no supermercado, no restaurante ou na rua. Filhos bem educados que nunca se esqueçam de dizer obrigada, bom dia e boa tarde e, já agora, com licença.
Bom, bom era que os nossos filhos viessem logo com a lição toda estudada e que não nos deixassem com a cabeça feita em nada com os terrible two, three, four….. que não nos deixassem com sentimentos de culpa, porque nem sempre fazemos as coisas da forma como gostaríamos, mas também nem sempre é assim tão fácil e tão claro como seria de esperar e, bolas, falar com as crianças de forma a que elas nos ouçam não é nada simples.

 

Bom, bom, era termos filhos e famílias como aquelas que vemos na televisão, em que os momentos passados à mesa são sempre tranquilos e em que, na hora de sair de casa, não existem birras, gritos e pais desesperados com filhos que não se querem vestir, que não se querem calçar e que, no limite, não querem sair de casa. Pais que, depois de conseguirem sair de casa – a muito custo e já com os nervos em franja, porque a corrida contra o tempo é, muitas vezes, inimiga da atitudes mais pedagógicas – e passam o dia a remoer naquele sentimento de culpa e a desejar que o dia passe rápido para os irem buscar novamente à escola e tentar que o fim do dia compense o início.
Mas, na verdade, ser mãe e pai é um desafio constante e que se vai acentuando à medida que eles crescem e lá acabamos nós por dar razão a mais um cliché: “deixa-os crescer, aí é que vais ver o trabalho que os filhos dão!”. Pronto, aceitemos a inevitabilidade das coisas e da evolução da nossa própria vida e dos vários papéis que desempenhamos – “filho és, pai serás…” 
Actualmente, o grande desafio do meu dia-a-dia é apenas um: “falar para o meu filho me ouvir, sem gritos, sem choros, sem levar as situações até ao limite e sem que eu ande sempre no limite da minha paciência”.
E o bom, bom não é que existem os tais filhos ou famílias perfeitas, mas sim pais e filhos de carne e osso que se amam infinitamente e que se respeitem. Acredito que se, as crianças conseguirem sentir esse amor e esse respeito, é porque estaremos a fazer um bom papel, o melhor que sabemos e com todos os altos e baixos que vamos tendo ao longo do nosso caminho.
Esta é aquela reflexão “típica” que fazemos depois de um fim-de-semana intenso, sempre em negociações e depois de um início de semana sempre mais caótico com o regresso à rotina. Não sentem que o primeiro dia da semana é sempre mais difícil que todos os outros?
Boa tarde ❤
P.s: Mais logo, por volta das 21h30, partilho com vocês um testemunho real da mãe da Francisca, que tem três anos. Um testemunho que nos colocar a todos a reflectir mais um pouco sobre estas coisas da parentalidade.
Fico à vossa espera mais logo.
Um post que vão gostar de ler, porque pode ajudar a entender alguns dos comportamentos mais obstinados dos nossos filhos: 

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