jardim da liberdade + santarém + capital do gótico + parque infantil + new balance + recuperação pós-parto + gravidez + pavimento pélvico



“Tens que te mentalizar que a tua barriga nunca mais vai voltar ao que era antes!”

“Tens que perceber que, depois da gravidez, o organismo muda, tudo muda!”
“Tens que ter paciência, pois agora é mesmo assim!”
Estas são algumas das coisas que frequentemente ouvimos depois de sermos mães. Ainda antes mesmo de conseguirmos explicar o que estamos a sentir, já estamos a ouvir à nossa volta um “isso é normal” ou, então, “tens que que habituar”. E assim vão passando as semanas, os meses e até anos, connosco a tentar interiorizar que tudo aquilo que estamos a sentir – e que, muitas vezes, nem conseguimos explicar – é consequência do parto e que vai ser assim para sempre. Às queixas físicas, vão juntando-se as crises psicológicas e, por vezes, também a diminuição da nossa auto-estima.

Até há bem pouco tempo, eu era uma dessas mulheres. Era uma mulher que, por vezes, se sentia “maluca” por não se sentir bem dentro do seu próprio corpo – e não estou a falar apenas da parte estética – que se sentia emocionalmente instável – tudo dependia dos dias e da forma como estava a minha relação com o meu corpo naquele momento – e tudo isso com consequências nas relações mais directas à minha volta. No entanto, nunca me consegui conformar e aceitar que agora “iria sem sempre assim” porque aquilo que me incomodava vinha de dentro e tinha que ter uma explicação. Sucederam-se consultas em vários nutricionistas, o desporto passou a ser diário, as mudanças na alimentação eram muitas (para melhor) e eu viva por ciclos, ora estava mais ou menos bem, ora estava péssima. 
Há pouco tempo, conheci a fisioterapeuta Soraia Coelho, a propósito do projecto 30 Dias Pós-Parto Fit, e é impossível não ter uma empatia imediata com ela, não só pela forma doce como fala connosco, mas especialmente pela forma compreensiva com que nos escuta e nos entende. Habituada a acompanhar mulheres no pré e nos pós parto, a Soraia tem uma vasta experiência que lhe permite ouvir-nos e, imediatamente, conseguir fazer a correlação com a nossa experiência no parto.
Com a ajuda da Soraia, descobri que num parto por cesariana também é aconselhado fazer-se uma consulta de pavimento pélvico e que a cicatriz tem que ser toda trabalhada. E, mais importante que isso, percebi que o facto de não o fazermos pode dar origem a complicações no futuro mais graves. E, mais uma vez, eu era uma dessas mulheres. Eu nunca tive qualquer vigilância após a consulta de revisão pós-parto. As palavras da minha médica que me assistiu foram: “está óptima, a cicatriz está perfeita, pode fazer a sua vida normal e retomar o exercício físico após o tempo de espera recomendado”. E assim fiz, mas eu não estava bem, no final destes três anos e meio, eu continuava sem estar bem e, agora, já consigo explicar o porquê. Este era o meu quadro clínico após avaliação:

– Cicatriz da cesariana com aderência à parede da musculatura abdominal e fáscia intestinal, provocando uma obstipação crónica;
– Barriga: sinais de desprogramação abdominal, diminuição do tónus abdominal, sinais de diminuição do colagéneo (pele seca) e ptsore umbilical (“queda do umbigo”);

E, agora, com o parto da Laura, a tudo isto, juntou-se ainda:
– Dificuldade em manter a contracção pélvica em momentos de pressão (tosse e abdominal);
– Músculos do pavimento pélvico: musculatura superficial e intermédia de grau 3 e musculatura profunda de grau 1 –  numa escala de 0 a 5, sendo o 0 muito mau e o 5 muito bom.

Tudo isto foi avaliado de forma externa e interna, pela Soraia, sem qualquer desconforto ou dor e logo na primeira consulta fiz o primeiro tratamento, neste caso, começamos pela cicatriz e  posso dizer-vos que o alívio foi imediato! Instântaneo! E visualmente a minha barriga mudou logo, menos volume e com aspecto mais liso. Desde, então, e já lá vão três semanas, fazemos consultas semanais e a cada sessão sinto-me melhor. 

Para mim, tudo isto tem sido, sem dúvida, a minha grande lição da maternidade. Tenho aprendido muito sobre o real impacto de uma gravidez e de um parto no corpo de uma mulher e que está muito para além das transformações físicas que sofremos e que vamos acompanhando ao espelho. Tenho aprendido também como é importante cuidarmos da nossa parte íntima e como isso, tem reflexos imediatos na nossa postura, no nosso bem-estar psíquico, no nosso comportamento e na nossa relação connosco próprias e com os outros.

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Importância de
fazer uma correcta avaliação do pavimento pélvico em qualquer tipo de parto?
Quando deve ser
feita? E porquê?

“A avaliação dos músculos do
pavimento pélvico deve ser feita entre as 6/8 semanas do pós-parto, sempre após
a consulta com o obstetra que segue a mulher. Isso significa, que após o okay
médico, a mulher se encontra apta a trabalhar o seu corpo. Sempre, sem
esquecer, com o apoio de profissionais especializados. Esta avaliação é
importante, pois para além de avaliarmos a postura, cicatrizes e alterações da
parede abdominal, vamos também avaliar o estado de uma área tão esquecida pelas
mulheres. O pavimento pélvico.
Mas as alterações, desconforto e dores físicas após a
gravidez e o parto são muito reais. A maioria dessas alterações e desconforto
tem origem num colapso do core e do pavimento pélvico, o que faz que se algo
não está a funcionar correctamente, então tudo o que tem que trabalhar em torno
ou com este, basicamente, não funciona bem também.
As alterações físicas que mais vejo nas minhas consultas após o parto são: a
incontinência urinária e fecal, lombalgias persistentes, dores pélvicas,
alterações relacionas com a cicatriz da cesariana, dor durante o ato sexual e
prolapso dos órgãos pélvicos (sensação de peso no baixo ventre, ou como se
sentasse em cima de uma bola de ténis)
. Por exemplo, se não existe um suporte
muscular pélvico correto e a mulher sofrer de obstipação crónica, poderá levar
ou exacerbar prolapsos dos órgãos pélvicos.
Algumas mães realizam um check-in com um fisioterapeuta simplesmente como
uma segurança para iniciarem a sua actividade física, ou para terem a certeza
que “está tudo bem lá em baixo”. Algumas não apresentam sintomas alguns, apenas
procuram retornar á sua vida com a certeza que estará tudo bem.” Soraia Rosa Coelho, fisioterapeuta.


Quais os
benefícios para a mulher, quando a sua parte íntima está “de boa saúde”?

“Pavimento pélvico forte,
mulher feliz!
Quando esta área se encontra saudável e forte, toda a postura da
mulher altera. Ela encontra-se mais direita, deixam de ocorrer perdas de xixi
quando corre, tosse, pega no bebé… Um parto futuro torna-se mais fácil,
pois estes músculos têm de ser como uma bailarina: fortes e flexíveis ao mesmo
tempo. E a vida sexual melhora! E muito! Precisamos de músculos fortes para que
o orgasmo seja mais intenso. Aquelas contracções que sentimos durante o clímax,
devem-se às contracções destes músculos.” Soraia Rosa Coelho, fisioterapeuta.
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Deixo-vos com dois vídeos importantes, nos quais a Soraia explica tudo sobre Pavimento Pélvico:

Podem ficar a conhecer um pouco mais sobre o trabalho que a Soraia desenvolve aqui: Períneo

Dúvidas, curiosidades, inseguranças, medos, tudo o que vos possa estar a inquietar, procurem ajuda especializada.
Se sentem que alguma coisa não está, então, é porque não está mesmo bem! Tenham a coragem e a perseverança de se encontrarem e de serem felizes!

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