A chegada de um bebé, seja o primeiro ou o segundo filho, nem sempre é pacífica para todos os casais, mães e pais. Na verdade, é o início de uma viagem cheia de surpresas e com muitos desafios para ultrapassar. Se pensarmos, quando um bebé nasce, quase sempre acontece uma verdadeira reviravolta na dinâmica familiar e um turbilhão de emoções aparecem como se de uma verdadeira avalanche se tratasse. São todas aquelas pressões sociais (palpites) que, ainda que com muito boa intenção, sejam dadas, nos deixam angustiadas e preparam, muitas vezes, o terreno para que as nossas inseguranças se instalem. É o medo de não sabermos tomar bem conta do nosso bebé, de o deixar cair no banho, de ele não respirar convenientemente, do nosso corpo ter mudado… Enfim, são uma série de situações que nos perturbam e alteram o nosso humor.
A par – e depois da excitação inicial – das noites mal dormidas, das alterações nas rotinas, da menor disponibilidade emocional, do menor tempo para nós (muitas vezes nem dá para um banho), etc, etc, etc.. Assim, este cocktail emocional e a nova ordem de prioridades, traz consigo, não raras vezes, alterações negativas no casal e pode conduzir à insatisfação – ou frustração – por parte da figura masculina! Tal como nós, Eles também passam por uma série de novas adaptações e é crucial que exista mesmo uma boa comunicação, pois, se,após o parto as mulheres sofrem do chamado baby blues, os pais, por seu lado, podem sentir uma sensação de estranheza e dificuldade de adaptação às novas rotinas surgindo uma fundamental necessidade de ajuste. Na verdade, os papás também podem também sofrer de depressão pós parto, sabiam? Pois é, apesar de ser a mãe que efectivamente tem o parto físico em si, ao pai cabe a grande missão de ter que dar apoio a essa intensa experiência no seu reportório comportamental e emocional.  A depressão pós-parto, ao contrário do que se possa pensar, não é uma condição exclusivamente feminina, sendo os principais sintomas masculinos, os seguintes:
  • Alterações frequentes no humor;
  • Aumento da irritabilidade;
  • Sentimento de inadequação “eu não sirvo para isto… sou mau pai… sou mau marido”;
  • Alterações no padrão de sono;
  • Dificuldade prolongada em se vincular ao bebé;
  • Ansiedade
    antecipatória (ex. “já sei que não vouconseguir dormir”);
  • Alterações no apetite (entre outras).
Deste modo, as mulheres e mães deveriam aceitar a participação do seu companheiro sem sentir que estão a perder o seu lugar ou o controlo e Ele, deverá perceber que o seu papel de ajuda não é sinónimo de ser mais fraco ou até mesmo de ser menos pai. Progressivamente, ambos irão encontrar-se e descobrir o caminho para um trabalho em equipa, e em que todas as ajudas externas são sempre muito bem-vindas. Deixo-vos aqui algumas estratégias que podem ajudar o casal a “sobreviver” aos primeiros tempos no papel de mãe e pai:
  • Comunicarem, conversarem sobre os seus receios e angústias;
  • Dividirem tarefas (por exemplo, banhos,fraldas, horas para cada um descansar, etc…);
  • Terem estabelecido um plano financeiro de modo a reduzirem as fontes de stress e preocupação;
  • Aceitarem ajudas de familiares e amigos;
  • Reservarem tempo para cada um e para os dois;
  • Procurarem ajuda especializada se sentirem que não estão a conseguir!
  • E, acima de tudo, lembrem-se: não protelem, o tempo por si só não cura tudo!

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