Muito se fala e muito se lê sobre o exercício físico na gravidez, sobre até que ponto é saudável para a mãe e sobretudo, para o bebé. No entanto, aquilo que me parece é que a maioria dos comentários são feitos de forma muito superficial, muitas vezes sem se ouvir quem realmente tem conhecimentos sobre esta matéria, ou seja, os profissionais do desporto.
Na minha opinião, se o mito de que uma grávida deve comer por dois já caiu por terra, acho que no que toca ao exercício físico na gravidez há ainda um caminho a fazer, especialmente no sentido da obtenção das informações certas e fundamentadas.
Posto isto, e porque, desde que eu fui mãe e que tive que “enfrentar”, pela primeira vez, aquilo que é um pós-parto – pois preocupava o voltar à forma e não arranjar desculpas para me acomodar, sobretudo para me sentir bem comigo mesma – resolvi questionar o Personal Trainer Sérgio Penajoia, do The Studio, com a seguinte pergunta: Treinar na gravidez, afinal, SIM ou NÃO? E a resposta segue imediatamente abaixo.
“Caros leitores(as),

No seguimento do convite feito por parte da Vera, irei escrever umas linhas sobre um tema delicado: o treino na gravidez.
Ao longo da minha carreira de Personal Trainer fui-me especializando em perda de peso, ganhos de massa muscular e recuperações de joelhos. Apesar de ter a teoria bem estudada, na prática o treino na gravidez surgiu já passados alguns anos de carreira, e de uma forma bastante interessante: uma aluna que treinava sobre minha orientação há já alguns anos, engravidou. Fui a segunda pessoa a quem ela decidiu contar, logo após o marido.
Quando assim é, a responsabilidade é acrescida: não é “apenas” uma grávida, mas também uma aluna que já sabe o que é estar em forma, e eu não podia defraudar as suas expectativas!

 

Depois de passar por todo este processo, posso responder ainda com mais confiança à pergunta que a Vera me fez: Treinar na gravidez: Sim ou Não?
Eu irei responder que: obviamente que sim. Poderá haver excepções, como em todas as coisas, e havendo possíveis riscos deverá cortar-se com a actividade física, mas, tirando esses casos específicos, o treino na gravidez só trará benefícios à mulher que treina.
Senão, vejamos o que acontece a uma grávida :
  • Aumento de cerca de 40% do volume sanguíneo;
  • Aumento da frequência cardíaca em repouso;
  • Alterações na pressão arterial, sendo que no último trimestre, existe a possibilidade de hipertensão;
  • Visto ser necessário mais oxigénio, o volume da respiração tem um aumento de cerca de 30%;
  • Obviamente, também ocorrem alterações músculo-esqueléticas;
  • E por fim… as alterações hormonais!
Com todas estas alterações não é de concluir que o treino traz benefícios?! Sem dúvida que sim.
Na verdade, são tantos os benefícios que nem deveria sequer ser uma dúvida:
  • Os tendões e ligamentos ficam mais fortalecidos;
  • O controlo de peso durante toda a gravidez é muito mais eficaz;
  • Proporciona uma melhor auto-estima;
  • Maior capacidade cardiovascular;
  • Minimiza as dores de costas e ajuda a manter uma postura mais saudável;
  • No parto, ter a zona pélvica mais fortalecida vai ajudar imenso, além de que a resistência da mulher vai ser bastante superior;
  • A recuperação pós-parto vai ser muito mais rápida.
No entanto, a evolução tecnológica trouxe tanto de bom como de menos bom para a minha área profissional. Se é verdade que hoje em dia toda a gente lê mais sobre diversos temas, também é verdade que cada vez mais pessoas se acham doutoradas nos assuntos por lerem algumas linhas sobre alguns estudos. Evidentemente, os nossos olhos focam sempre o mais gritante e um exemplo disso, é o caso de uma famosa grávida, a Carolina Patrocínio. Muito se fala e opina sobre a sua barriga e os seus treinos, sem sequer se analisar o caso em questão.
Há uma série de factores que fazem com que a Carolina lide com a gravidez de forma “sui generis”.
Entre eles, destaco o passado desportivo (só com um bom background antes da gravidez é que se pode continuar com aquela intensidade); a idade (é uma jovem, a quantidade de oxigénio no seu corpo permite-lhe ter grande disponibilidade); e depois, o prazer com que treina (a vontade de superação é um combustível inesgotável).
É preciso que as pessoas retenham que: é importante tratar cada grávida como uma individualidade, isto é, perceber de onde vem, como queremos que seja a sua gravidez e prepará-la (de acordo com o seu histórico) para o parto e para o período do pós-parto. Não podemos pôr todas as grávidas no mesmo patamar. Neste sentido: já é uma mulher treinada, com um ritmo de treino intenso? Então, continue a treinar e conforme a gravidez vá evoluindo, as limitações e os ajustes ao treino vão acontecendo. Não treina e não se lembra da última vez que o fez? Então, deixe passar o primeiro trimestre de gravidez e após esse período, comece com um ritmo lento.
Mas atenção: numa ou noutra situação, não se meta em aventuras e nunca treine sozinha. Existem profissionais aptos para estas situações e que irão garantir que tanto a sua saúde, como a do seu bebé, irá estar sempre em primeiro lugar.
Outro conselho: Use um cardio-frequencímetro. É importantíssimo que vá verificando a sua frequência cardíaca durante o treino.
Despeço-me, por agora, e espero que ter conseguido tirar alguns dos receios que ainda existem sobre o treino na gravidez.”
Sérgio Penajoia, Personal Trainer
Owner Coach The Studio

 

Contactos: 967114290/sergio_penajoia@hotmail.com
 Eu tive a sorte de ser acompanhada pelo Sérgio até mesmo à vespera da Laura nascer, sei que essa preparação física foi importante para mim no momento do parto e, logo que me foi possível, lá estava eu novamente. Mas desta vez, com companhia 🙂
exercício físico na gravidez
Boa tarde.

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