Antes de engravidar nunca perdi muito tempo a pensar se gostava mais de ter um menino ou menina – aquela pergunta que toda a gente insiste em fazer-nos logo que sabem que estamos a espera de um bebé – e quando engravidei, assim continuei. Não tinha preferências, mas sabia que se tivesse uma menina ia facilmente perder-me com as roupinhas, os laçinhos, os fofos, os vestidos…. e que se fosse um menino, iria ter um melhor amigo para o resto da vida – pois, sempre ouvi dizer que os meninos são mais apegados às mães e as meninas ao pai. 
Quando tivemos a confirmação que era um rapaz – o nosso Vicente – fiquei feliz, tão feliz como teria
ficado se me tivessem dito que seria uma menina, porque não tinha expectativas e não tinha preferências. Porém, hoje, mãe de um menino com quase três anos, sinto-me tão preenchida e tão realizada que, ao pensar num segundo filho, quase que arrisco a dizer que gostava que fosse outro menino. Eu sei que o esperado é que se queira ter o casalinho – a menina e o menino – mas o mundo dos rapazes tem algo de fascinante e, ao mesmo tempo, de desafiante. São tantas as situações com que temos que lidar que, de tão novas e diferentes para nós, se tornam estimulantes nos primeiros instantes em que acontecem.
Eu sei que ser mãe é acabar por ser sempre um bocadinho tendenciosa, mas ainda assim, estas são algumas das coisas com as quais concordo quando o assunto são os meninos:
Os meninos dão os melhores abraços. E quem diz abraços, diz os beijos e os apertões que quase nos esmagam. Quando eles nos abraçam o mundo pára e nada mais importa, eles entregam se por completo ali, são transparentes naquilo que sentem e que demonstram naqueles abraços meios “abrutados” que nos deixam zonzas. Não há nada mais puro do que aquele gesto.
Os puns são engraçados, fazem rir, assemelham-se quase a uma espécie de super-poder que lhes é concedido apenas a eles.
– A certa altura o xixi pode ser uma batalha difícil de travarAssim que se deixam as fraldas, passamos para toda uma outra fase: a de aprender a fazer o xixi fora de casa da maneira mais prática, que é como quem diz, de pé. E há toda uma técnica ali que a mãe não domina, pura e simplesmente não sabe e, por vezes, quando acha que o assunto está controlado, há xixi por todo o lado e não há forma de travar – no final, é só rezar para que pelo menos a roupa não tenha sido atingida.
Os meninos são físicos. A partir de certa altura, parece que não há espaço suficiente para a energia que têm. Eles saltam para todo o lado; eles saltam em cima de nós; querem correr e tudo serve de pretexto para fazer-se uma corrida ou um jogo da apanhada. E parece que tudo isto é normal, de acordo com os especialistas na matéria, esta é a forma que os rapazes têm de se relacionarem com o mundo, ajuda inclusivamente a promover os relacionamentos positivos e a inteligência.
A “escuta selectiva”. Quantas e quantas vezes dou por mim a repetir as mesmas coisas, vou repetindo – ao mesmo tempo que dou por mim a aumentar o tom de voz – e a resposta é sempre a mesma: “Diz?”; “Diz mãe? Não estou a ouvir!” e continua a fazer o que estava a fazer como se nada fosse. – ai que N.E.R.V.O.S!!!!  E também isto parece ser normal. Há estudos que mostram que os meninos têm a audição menos sensível do que as meninas quando nascem. Para além disso, a audição das meninas é mais sensível aos padrões da fala, o que faz com que elas entendam o que lhes é dito com mais facilidade. Os cérebros dos meninos desenvolvem esse talento mais lentamente. 
Os meninos amam incondicionalmente. Ainda hoje no meio de uma birra, em que tudo o que eu dizia estava mal, eu perguntei: “Vicente tu gostas da mamã?” e ainda que tenha estado ali uns minutos a pensar no que ia responder, sai-lhe um grande “SIM” e foi o suficiente para se desmanchar todo com beijinhos e abraços. Eles amam incondicionalmente. Amam com seus pequenos corpos por inteiro.
As mães (e os pais) de meninas vão dizer-me que há coisas que não são exclusivas dos meninos e com razão. Uma criança quando sabe e sente que é amada incondicionalmente, ama, por conseguinte, incondicionalmente; uma criança, na inocência da sua natureza e na sua pureza, dará tudo de si quando se entrega a alguém, nos mais pequenos gestos. No fundo, a verdade é que somos todos uns valentes sortudos por podermos passar pela maravilhosa experiência que é conviver com uma criança por perto, que tem tanto de desafios, como de momentos de uma felicidade que não se mede e nem se explica. Não concordam? 
Podem ler o primeiro post sobre “Aquilo que aprendi sobre ser mãe de um rapaz” .

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