Acho que nunca vos contei que eu e o senhor meu marido casamos na véspera do Vicente nascer. Apenas os dois, no Registo Civil de Lisboa, apenas com a presença de casal amigo para que o momento pudesse ficar registado em fotografias. 
Nunca atribui ao casamento a importância de ser fundamental para se constituir uma família, no entanto, quando engravidei e à medida que os meses iam passando, a instabilidade e a insegurança de uma relação à distância ia-se acentuando. O excesso de hormonas, talvez; o peso da responsabilidade de ter um filho nos braços, talvez; a incerteza se poderíamos ou não estar juntos – fisicamente – após o nascimento do bebé, talvez; o que é certo é que a certa altura só um pedido de casamento era capaz de me trazer a paz e a certeza de que ambos estávamos nisto a sério e que tudo iria correr bem. E o pedido lá surgiu, na manhã de Natal, já na recta final da gravidez, o anel não consegui usar (o inchaço não permitia), mas estava guardado e eu feliz.
No entanto, com o pedido feito e com um filho quase a nascer, achamos que não faria sentido adiar: o bebé ia nascer; se (porque nessa altura era uma mera hipótese) fossemos para Bruxelas, ainda mais adiado iria ficar e nós não queríamos ficar noivos um, dois ou mais anos. E assim foi, depois de muita insistência, junto da notária, de muito apelar ao sentimento para não se negar um pedido a uma grávida – que por aquela altura não se podia enervar – conseguimos!
Casamos no dia 2 Janeiro, o mesmo dia da consulta das 38 semanas de gravidez. Casamos, brindamos, tiramos fotografias e almoçamos (no mesmo restaurante onde começamos a namorar). De seguida, fomos a casa, trocamos de roupa e fomos para mais uma consulta de rotina (pensava eu). Eu sentia-me bem, quer dizer, mais cansada que o normal e um pouco enjoada, todavia tinha sido uma mudança de estado de espírito no momento em que entrei no hospital e depois de fazer o CTG de… rotina. No entanto, a verdade é que, assim que a minha obstetra olhou para mim, ela percebeu que a hora estava mesmo a chegar e assim foi. O Vicente nasceu na madrugada do dia seguinte… 
Não tivemos tempo de avisar os amigos que tínhamos casado e, após o nascimento do Vicente, isso tinha passado automaticamente para segundo plano. As pessoas foram-se apercebendo do acontecimento a medida que iam vendo a aliança no nosso dedo. Nem toda a gente entendeu – ou quis entender – o porquê de ter tudo sido assim tão rápido, em segredo e sem convidados. Também não sei se serei capaz dar uma resposta que faça sentido aos outros, porém para nós só podia ter sido desta forma. Não seguimos um protocolo, não quisemos agradar primeiro aos outros, com receio do que fossem pensar, fizemos quando sentimos que era o momento e com o sentimento mais puro que pode unir um homem e uma mulher: o amor que se materializa no nascimento de um filho – e porque, afinal, só assim vale a pena viver esta vida! 
Para além disso, o momento era o do nascimento de um bebé e não o de um casamento. Se pensássemos em organizar as coisas de uma outra forma, não teríamos conseguido casar no momento que sentíamos ser o certo e não conseguíamos fazer a festa que desejaríamos.
Mas, sou uma romântica, mesmo que o casamento não nunca tenha feito parte dos meus sonhos de menina, os vestidos de noiva e de princesa esses fizeram e ainda fazem. Mantenho o desejo de um dia vestir um, de ter a festa, de ter os amigos, a família e…. os nossos filhos, todos juntos a celebrar.
E é por acontecimentos como este que vos digo que, na minha vida, as coisas não vão simplesmente acontecendo. Acontece tudo sempre na mesma altura (e tudo o que é importante), muitas vezes, sem qualquer aviso prévio e, outras tantas vezes, sem eu estar preparada para conseguir saborear cada um desses momentos como deveria.

*Todas as imagens foram retiradas do Pinterest.

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