Hoje quando acordei senti-me a precisar de respirar fora das quatro paredes de casa e, especialmente, sozinha. Esta profissão de mãe a tempo inteiro é um privilegio que penso muitas outras mães gostariam de ter, mas como em tudo na vida, tem também o outro lado da moeda. Por vezes, acontece-me deixar que o cansaço se apodere de mim e me faça sentir uma máquina rotinada para as mesmas tarefas dia após dia. E, quando assim é, já sabemos qual o truque: sair de casa! Eu, por um lado, esfrio a cabeça e carrego energias, sem pensar nas lides domésticas. E, por outro, os meus homens têm o seu tempo, só deles. Já para não falar que o senhor meu marido pode fazer tudo sem a minha supervisão e controlo.
Quando saí de casa já sabia onde ia. O Palácio Real abriu as portas e este era o último fim de semana em que poderia fazer a visita. Foi para lá que me dirigi, com a companhia de um Sol tímido, com um cheirinho a Outono, que confesso já me saber bem.
Com o meu fascínio por príncipes e princesas, tendo perdido a tomada de posse do novo rei (rei Philippe), por abdicação de seu pai (rei Albert II), em Julho, não podia perder a oportunidade de visitar o palácio. Pese embora, este não seja a residência oficial da família real, uma vez que esta reside fora da cidade (em Laeken), é sempre uma boa oportunidade de conhecer um pouco mais da história desta cidade.
E, apesar de não nos darem a oportunidade de visitar o Palácio mesmo a sério e termos apenas um circuito muito pequeno de visita, a sua grandiosidade, por si só, é suficiente para se gostar deste programa. Digo eu que, no meu subconsciente, estaria à espera de “entrar na vida privada dos reis” e quem sabe até conhecer os aposentos reais 🙂

À saída fui surpreendida pelo festival de banda desenhada que estava a decorrer neste fim de semana, aproveitei para dar uma vista de olhos, enquanto filho e marido não chegavam. Houve tempo para visitar a história do Tintin, entre outros personagens bem nossos conhecidos. Mas o mais incrível foi ter conseguido um livro, do clássico Lucky Luke, autografado/caricaturado pelo seu autor. O sortudo foi mesmo o senhor meu marido que teve direito a dedicatória especial e tudo!!!
Para quem possa não saber, a Bélgica é conhecida como o país da Banda Desenhada, foi aqui que surgiu, por exemplo, Herge (o pai do “Tintin”). Na verdade, a sua importância nesta área, designada a 9ª arte, é tão grande que, além de um Museu dedicado à banda desenhada, tem também, espalhadas por toda a cidade, vários murais com os mais célebres personagens. Independentemente de se gostar mais ou menos desta arte, há que reconhecer mérito na banda desenhada franco belga e em todo o trabalho que Bruxelas desenvolveu em torno dela. Eu sinto-me sempre a regressar à minha infância e isso faz-me sentir bem.

O cativante de Bruxelas também é isto. É sair de casa e ser surpreendido com uma série de eventos a acontecer ao mesmo tempo em locais diferentes. 

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